A candidíase vaginal é uma infecção causada pelo crescimento excessivo do fungo Candida, principalmente da espécie Candida albicans. Estima-se que a maioria das mulheres terá pelo menos um episódio ao longo da vida e, para muitas delas, o problema acaba se tornando recorrente.

Quando os episódios acontecem várias vezes ao ano, é importante ir além do tratamento dos sintomas e investigar os fatores que podem estar favorecendo esse desequilíbrio.

A Candida faz parte da microbiota normal do nosso organismo e pode estar presente na vagina, no intestino e em outras mucosas sem causar doença. O problema surge quando ocorre um desequilíbrio da microbiota ou das defesas do organismo, permitindo sua proliferação.

Alguns fatores que aumentam esse risco são:

  • uso frequente de antibióticos;

  • diabetes mal controlado;

  • alterações hormonais (gravidez, anticoncepcionais e menopausa);

  • estresse crônico;

  • privação de sono;

  • alimentação rica em açúcar e alimentos ultraprocessados;

  • alterações da microbiota intestinal e vaginal.

Qual a relação entre intestino e candidíase?

O intestino abriga trilhões de microrganismos que ajudam a regular o sistema imunológico e contribuem para o equilíbrio da microbiota em todo o organismo.

Quando ocorre uma disbiose, um desequilíbrio dessa microbiota, há redução das bactérias benéficas, principalmente dos lactobacilos, que normalmente ajudam a limitar o crescimento da Candida.

Por isso, mulheres com alterações importantes da microbiota podem apresentar maior predisposição a episódios recorrentes de candidíase.

A alimentação pode ajudar?

Embora a alimentação sozinha não trate uma candidíase ativa, ela pode ser uma importante aliada na prevenção das recorrências e na recuperação da saúde intestinal.

Durante o acompanhamento nutricional, algumas estratégias podem ser utilizadas conforme a necessidade de cada paciente, como:

  • aumentar o consumo de vegetais, frutas e fibras;

  • reduzir o consumo de açúcar e alimentos ultraprocessados;

  • favorecer alimentos ricos em compostos bioativos;

  • corrigir possíveis deficiências nutricionais;

  • avaliar a necessidade de prebióticos e probióticos de forma individualizada;

  • promover hábitos que favoreçam uma microbiota intestinal saudável.

Probióticos podem ajudar?

Algumas pesquisas demonstram que determinadas cepas de Lactobacillus podem contribuir para restaurar o equilíbrio da microbiota vaginal e intestinal, auxiliando na redução das recorrências da candidíase.

No entanto, a escolha do probiótico, da dose e do tempo de uso deve ser individualizada, pois nem todos os casos são iguais.

Quando uma mulher apresenta candidíase de repetição, o objetivo não deve ser apenas tratar o episódio atual, mas compreender por que o fungo continua encontrando condições para crescer.

Avaliar hábitos alimentares, saúde intestinal, qualidade do sono, estresse, uso de medicamentos e possíveis alterações hormonais faz parte de uma abordagem mais completa.

A candidíase de repetição costuma ser um sinal de que existe algum desequilíbrio que merece atenção. Cuidar da alimentação, da microbiota intestinal e da saúde como um todo pode contribuir para reduzir as recorrências e melhorar a qualidade de vida.

Se você apresenta episódios frequentes de candidíase, procure avaliação médica para confirmar o diagnóstico e conte com o acompanhamento nutricional para desenvolver estratégias personalizadas que favoreçam o equilíbrio da microbiota e da saúde intestinal.